A magia que é dobrar!

Faz hoje precisamente uma semana que a Ana embarcou numa grande aventura: Workshop de Dobragens para adultos, nos estúdios da ZOV em Lisboa.

Fã incondicional de filmes de animação, já há muito tempo que a Ana tinha curiosidade em saber mais sobre este mundo mágico que são as dobragens.

De vez em quando a Ana enviava uns e-mails, fazia umas pesquisas à procura de formação nesta área, mas o que havia era tudo muito longe de casa e a Ana ia deixando passar.

Há umas semanas a Ana estava a ter um dia menos bom, zangada com ela própria, estava triste e no sofá a chorar (sim meninos, os adultos também choram). Foi no meio destas emoções todas baralhadas que a Ana ao deambular no Instagram viu o anúncio deste workshop.

A Ana tinha recebido neste dia o seu mapa de férias e, como já sabem, a Ana acredita que tudo acontece por um razão. Por isso, naquele momento, decidiu que ia marcar férias para se inscrever no workshop. Teve de imediato a certeza que daí a umas semanas estaria em Lisboa pronta para esta aventura.

Os dias seguintes à inscrição foram dias de entusiasmo e motivação, parecido com aquelas borboletas na barriga que sentimos quando estamos à espera da chegada do Pai Natal ou do presente da Fada dos Dentes. A Ana passou a estar feliz consigo própria por estar a ter coragem de ir experimentar algo novo que tanto interesse sempre lhe despertou.

Na segunda-feira passada a Ana estava a contar as horas para começar esta aventura. Assim que entrou na ZOV, percebeu rapidamente que estava efetivamente no sítio certo, com as pessoas certas a fazer aquilo que ,naquele momento, era certo para ela. Logo à entrada recebeu-a a Carmen de riso fácil que, apesar de estar escondido pela máscara, foi facilmente perceptível pelo olhar. Ofereceu-lhe água e bolos e a Ana, sem explicar bem como, sentiu que estava em “casa”.

O grupo de alunos que se juntou, de tão diferente que era, formou um encaixe perfeito. As histórias e motivações de cada um para ali estar foram sempre motivadoras e inspiradoras para todos. Havia sempre algum pormenor da história/motivação que encaixava na vida de cada um deles e perceberam isso logo nos primeiros minutos da apresentação.

Falta falar ainda do Mário Bomba (sim esse, esse mesmo que estão a pensar)! O Mário foi o motor desta empatia e sincronia imediatas que se criaram. Com um sentido de humor genial, teve sempre o paralelismo certo no momento ideal e arrancou gargalhadas vindas verdadeiramente de dentro, mesmo quando todos ainda estavam preocupados em fazer as chamadas “figuras de urso”. Ensinou, ainda nos exercícios de aquecimento, a importância de permitir “falhar”, de saber olhar para o erro com a verdadeira importância que ele tem: nenhuma, a não ser a aprendizagem que se retira daí! O importante? Saber divertir-se com aquilo que se está a fazer. E aqui a Ana voltou a perceber que estava MESMO no sítio CERTO e que este não era só um workshop com ensinamentos sobre dobragens, mas sim com ensinamentos para a vida!

Depois, assim que entrou em estúdio a mente da Ana assolou-a com mil e um pensamentos: “A sala é pequena e abafada, não tem janelas”; “Estão ali todos a olhar para ti do outro lado do vidro”; “Onde está o Timecode?”; “E se não me sair voz nenhuma?”; ” E se eu não entro no tempo?”.

Rapidamente, a Ana tinha o coração a bater a mil, toldando aquilo que era o mais importante, tal como ensinara o Mário: ser capaz de observar e ouvir, ser capaz de estar disponível e reagir e estar pronto para se divertir!

Quando o Mário falou para a Ana, nos primeiros segundos em estúdio, a Ana acenou-lhe com a cabeça afirmativamente, tinha ouvido, mas não estava verdadeiramente capaz e disponível para “ESCUTAR” e “OBSERVAR”.

Lá muito ao fundo lá escutou o Mário: “uma princesinha?” e ainda conseguiu articular: “pode ser uma bruxa?” e o retorno foi: “e se ficarmos a meio? uma fantasminha pelo na venta?”.

E assim foi, em segundos a Ana estava a dobrar uma fantasminha sabichona e cheia de pinta!

Perguntam vocês: “A Ana enganou-se?” OBVIAMENTE!!! A atitude foi boa, a entrega também (segundo o Mário), mas foi fora de tempo, ora adiantada, ora atrasada! Valeram-lhe as notas de direção do Mário e a paciência do Zé (que é o técnico de som com o humor mais rabugento e divertido de sempre! Ah!!! E que tem voz de desenho animado!).

Com os erros a Ana foi percebendo a dinâmica, foi relaxando e… a mente calou-se (sim, aquela mente que dispara disparates a todo o nanosegundo e que enche a cabeça da Ana de medos). A mente que nunca se cala, naquele momento perdeu o “piu”! E a Ana, saiu dali de dentro com a alma e o coração cheios (apesar de achar que sabia fazer muito melhor do que aquilo que efetivamente fez!). Finalmente, a Ana tinha descoberto como silenciar a mente e que esta experiência era, definitivamente, mais que um workshop… funcionava como “terapia”. Foi quando a Ana partilhou este sentimento ao grupo que o Mário salientou a importância de valorizar o momento, de viver o “aqui” e o “agora”, relembrando aprendizagens valiosas que a Ana já tem e, muitas vezes, ainda se esquece!

A partir daí a Ana aproveitou os momentos de gravação dos colegas para efetivamente observar, para apreender os detalhes. Dobrar é muito mais que fazer vozes!! Fazer dobragens é ser capaz, tal como diz o Mário de “representar e interpretar o posicionamento emocional de cada personagem”. Fazer dobragem carece de um sincronismo exímio e faz-nos sentir um bocadinho “doidos”. Ora vejam: é preciso ser capaz de colocar a própria voz de acordo com a idade, fisicalidade e intenção do desenho animado. Isto tudo em tempo real, em sincronia com os movimentos da boca do boneco, enquanto se tem de olhar para o texto, para a imagem do filme/série e para o Timecode que avança tão rápido como a mente da Ana! Esperem, isto tudo ao mesmo tempo que ouvimos a versão original da animação, o retorno da nossa própria voz e as notas de direção.

Estes momentos de observação permitiram à Ana perceber que toda a gente erra e que, apesar da capacidade inata de cada um, existe sempre margem para o progresso!

Quando foi gravar pela última vez, nos primeiros segundos a mente da Ana ousou incomodar. Mas, a Ana fintou-a de imediato: “pstt, caladinha que eu estou a adorar isto e vou aproveitar à séria!”.

E a Ana divertiu-se, divertiu-se mesmo, desta vez na pele de uma bexigosa (e cheia de verrugas) bruxa, como uma tradicional bruxa deve ser!

Foi a melhor bruxa que a Ana consegue fazer? Ela sabe que não! Junto dos seus meninos, na sala, a bruxa tem mais credibilidade, é mais estridente e mais intensa! Mas será, com a maior certeza, a única bruxa que a Ana não se vai nunca esquecer!

O espírito de companheirismo foi gigante e vibraram todos com as conquistas uns dos outros. A Ana tem a certeza que se voltarão a cruzar por aí, porque a vida é feita de coincidências e nada acontece por acaso! Não acreditam? A Ana regressou a casa e trouxe à boleia uma colega do grupo, que não sabia onde era Águeda, mas que tinha sido selecionada para um projeto na cidade! Qual é a probabilidade de isto acontecer? Pois bem, se não é um bom sinal, a Ana não sabe o que será!

Quando a Ana se voltar a cruzar com o Mário, mesmo que ele não se lembre dela, ela vai relembrar-lhe que ele sabe ensinar muito mais do que fazer dobragens.

Certamente a Ana dir-lhe-á que ter ido “espreitar” os bastidores das dobragens naquele workshop nunca a fez perder o fascínio por este mundo, só aumentou a magia e o encanto!

Dir-lhe-á, também, que sabe “Ser calma, Ser grata e Ser confiante!

“Não percam os próximos episódios porque nós também não!”

Dia internacional do Livro Infantil

Livros fazem-nos livres… Permitem-nos ser o que quisermos. Levam-nos a viajar. Fazem-nos sonhar! São companheiros. São aventureiros. São curadores. São brisa suave que tantas vezes norteiam caminho. São mundo dentro de outros mundos! São magia! Os livros têm vidas infindáveis, ganham sempre uma nova vida nas mãos de quem os lê. 📚🆓💭🍀

Uma aventura chamada MILHÕES!

Numa visita à Biblioteca Municipal de Águeda reencontrei a Neida. Conheci a Neida em 2013 pela mão da Alice uma simpática e doce pequena, cheia de caracóis.

E que bom foi reencontrar a Neida, mantém o brilho no olhar sempre que nos apresenta um livro, mantém a voz doce que nos leva ao imaginário das histórias, mantem a simpatia, disponibilidade e o gosto pela profissão.

Além de me ter aconselhado um belo castelo de livros falou-me da MALA em específico das iniciativas que iam acontecer na Biblioteca e, por consequência, da Mafalda Milhões a propósito de uma outra aventura minha.

Inscrevi-me na inauguração da “Exposição Mafalda Milhões à procura do traço” e na Oficina de Ilustração “À procura do traço” por Mafalda Milhões.

De certo que a Neida leu, na minha alma, que era mesmo disto que estava a precisar. Foram dois dias cheios de experiências incríveis.

A Mafalda é “milhões” de inspiradora numa simplicidade que nos desafia. Ao ouvi-la reconheci-me em inúmeras coisas e percebi que não temos de nos catalogar, nem muito menos ser só uma coisa. Se calhar, também eu tenho uma profissão com um nome por inventar. Percebi que é necessário parar para pensar nisto do que é ter uma carreira e do que é ser capaz de nos atrevermos a ser imperfeitos.

Ao ouvir a Mafalda, milhões de pensamentos viajaram de um lado para o outro na minha cabeça num curto período de tempo. Pensamentos desafiadores e motivadores que me deixaram com vontade de visitar ainda mais bibliotecas e livrarias porque de facto “onde há uma livraria há esperança” e as bibliotecas são “os lugares mais democráticos do Mundo”, onde cabe toda a gente.

Neste exposição coube tanto que é, de facto, difícil expressar por palavras o que despertou em mim.

Confesso que para a Oficina de Ilustração “À procura do traço” ia um bocadinho a medo, porque achei que me ia sentir peixe fora de água por não saber fazer uma linha direita. Parti à descoberta e mais uma vez a Mafalda, na sua simplicidade, levou-me numa viagem tão realista que, a determinada altura, me senti a melhor artista de sempre. Ela implicou-nos de tal forma no processo de criação que a ilustração final cabia na alma de cada um de nós.

Mas, quando chegou a nossa vez de criarmos o medo assolou-me de imediato. Afinal eu não sabia nada de artes era só uma Educadora de Infância com uma paixão pela literatura infantil. No panfleto dizia que esta era uma oficina especialmente para quem não sabia desenhar, mas isso não me acalmou. A Mafalda salientou que não deveríamos pensar em nada. Mas como não pensar em nada?! O meu coração bateu a um ritmo bem mais acelerado e os meus olhos procuraram uma saída de emergência.

Mas o universo sabe o que faz e trouxe a mim uma forma de não pensar em nada, de ser natural e não ter medo: CRIANÇAS. Apareceram como por magia, para me salvar, os sobrinhos da Mafalda. Apressei-me a meter conversa com o mais pequenino, o Sebastião, que simpaticamente me ofereceu ajuda para o desafio da criação. Sem medo algum deu-me a mão e foi comigo escolher os materiais. Fomos conversando ao longo do processo e eu estava deliciada e sem medo de falhar. Juntou-se a nós o Viriato, que se ofereceu para cortar umas “perninhas” e aplicar um néon.

A conversa foi-se prolongando e fomos falando de livros e de estórias e o Viriato apresentou-me o seu canal de Youtube “As estórias do Viriato” (sigam e subscrevam porque vão adorar, é delicioso) e viajámos os três para um lugar ainda mais incrível que faz brilhar a alma e o coração.

Apresentei, também, ao Viriato o AnAdventure e num ápice estava terminada a Oficina.

Saí da biblioteca como há muito não me sentia. Há experiências que valem muito, mas esta valeu MILHÕES.

Obrigada Neida, Mafalda, Sebastião e Viriato!