Uma aventura chamada MILHÕES!

Numa visita à Biblioteca Municipal de Águeda reencontrei a Neida. Conheci a Neida em 2013 pela mão da Alice uma simpática e doce pequena, cheia de caracóis.

E que bom foi reencontrar a Neida, mantém o brilho no olhar sempre que nos apresenta um livro, mantém a voz doce que nos leva ao imaginário das histórias, mantem a simpatia, disponibilidade e o gosto pela profissão.

Além de me ter aconselhado um belo castelo de livros falou-me da MALA em específico das iniciativas que iam acontecer na Biblioteca e, por consequência, da Mafalda Milhões a propósito de uma outra aventura minha.

Inscrevi-me na inauguração da “Exposição Mafalda Milhões à procura do traço” e na Oficina de Ilustração “À procura do traço” por Mafalda Milhões.

De certo que a Neida leu, na minha alma, que era mesmo disto que estava a precisar. Foram dois dias cheios de experiências incríveis.

A Mafalda é “milhões” de inspiradora numa simplicidade que nos desafia. Ao ouvi-la reconheci-me em inúmeras coisas e percebi que não temos de nos catalogar, nem muito menos ser só uma coisa. Se calhar, também eu tenho uma profissão com um nome por inventar. Percebi que é necessário parar para pensar nisto do que é ter uma carreira e do que é ser capaz de nos atrevermos a ser imperfeitos.

Ao ouvir a Mafalda, milhões de pensamentos viajaram de um lado para o outro na minha cabeça num curto período de tempo. Pensamentos desafiadores e motivadores que me deixaram com vontade de visitar ainda mais bibliotecas e livrarias porque de facto “onde há uma livraria há esperança” e as bibliotecas são “os lugares mais democráticos do Mundo”, onde cabe toda a gente.

Neste exposição coube tanto que é, de facto, difícil expressar por palavras o que despertou em mim.

Confesso que para a Oficina de Ilustração “À procura do traço” ia um bocadinho a medo, porque achei que me ia sentir peixe fora de água por não saber fazer uma linha direita. Parti à descoberta e mais uma vez a Mafalda, na sua simplicidade, levou-me numa viagem tão realista que, a determinada altura, me senti a melhor artista de sempre. Ela implicou-nos de tal forma no processo de criação que a ilustração final cabia na alma de cada um de nós.

Mas, quando chegou a nossa vez de criarmos o medo assolou-me de imediato. Afinal eu não sabia nada de artes era só uma Educadora de Infância com uma paixão pela literatura infantil. No panfleto dizia que esta era uma oficina especialmente para quem não sabia desenhar, mas isso não me acalmou. A Mafalda salientou que não deveríamos pensar em nada. Mas como não pensar em nada?! O meu coração bateu a um ritmo bem mais acelerado e os meus olhos procuraram uma saída de emergência.

Mas o universo sabe o que faz e trouxe a mim uma forma de não pensar em nada, de ser natural e não ter medo: CRIANÇAS. Apareceram como por magia, para me salvar, os sobrinhos da Mafalda. Apressei-me a meter conversa com o mais pequenino, o Sebastião, que simpaticamente me ofereceu ajuda para o desafio da criação. Sem medo algum deu-me a mão e foi comigo escolher os materiais. Fomos conversando ao longo do processo e eu estava deliciada e sem medo de falhar. Juntou-se a nós o Viriato, que se ofereceu para cortar umas “perninhas” e aplicar um néon.

A conversa foi-se prolongando e fomos falando de livros e de estórias e o Viriato apresentou-me o seu canal de Youtube “As estórias do Viriato” (sigam e subscrevam porque vão adorar, é delicioso) e viajámos os três para um lugar ainda mais incrível que faz brilhar a alma e o coração.

Apresentei, também, ao Viriato o AnAdventure e num ápice estava terminada a Oficina.

Saí da biblioteca como há muito não me sentia. Há experiências que valem muito, mas esta valeu MILHÕES.

Obrigada Neida, Mafalda, Sebastião e Viriato!