Se eu fosse…

Hoje comemora-se o Dia da Criança e decidi contar esta história porque este é um livro que convida grandes e pequenos a derrubar limites através da imaginação.

Esta é uma história que salienta que podemos sempre ser tudo aquilo que nós quisermos, sem medos e sem barreiras. Voar como uma borboleta, saltar como um canguru, espreitar os lugares mais secretos com uma girafa, ou olhar com um olho para cada lado como os lagartos, são apenas algumas das hipóteses deixadas pelo autor Richard Zimler.

Esta é uma obra que desafia em grande escala a imaginação de quem a ouve, ou lê.

Alguns adultos, quando crescem esquecem-se desta ferramenta mágica que é a imaginação, deixam morrer a sua criança interior e de acreditar na possibilidade de realizar sonhos.

Eu cresci mas não deixei de ser a Anita pequenita. Esta Anita vive nas histórias, nas mil ideias ao mesmo tempo, nos filmes de animação, nos sorrisos dos meus meninos e na aprendizagem constante com eles. E, claro está, nas muitas “macacadas” que não deixo de fazer por já ser “crescida”.

Uma vez li uma frase que nunca mais esqueci: “O Adulto Criativo é aquele que nunca parou de Imaginar!”

Não sei se sou criativa, sei que nunca deixei de sonhar e de imaginar!

Chegou o dia do PAI… E agora?!

Desde que me lembro de ser gente raras foram as vezes que consegui entregar, no dia do Pai, todos os presentes e cartas que fazia com toda a dedicação, na escola, ao meu Pai.

Raras foram, também, as vezes que o meu Pai pode ir, nesse dia, à escola buscar-me como todos os pais…

Por consequência, muitas foram as vezes, em que a barriga me doía nesse dia e não queria ir à escola. Muitas foram as vezes em que deixei de ter vontade de fazer os bigodes pintados, os calendários, os porta-canetas, os blocos de notas e as mil coisas mais que se lembravam de nos pedir. O meu pai nem trabalhava num escritório, vejam só!

Esta situação foi ficando adormecida aqui nas minhas gavetinhas, muito bem guardadas pelo pássaro da alma. Com o tempo fui-me convencendo que a vida era assim… e que o meu Pai não estava presente porque estava a trabalhar fora e, que aquele dia, também não era um dia feliz para ele. Nem aquele, nem os outros todos em que se celebravam coisas e ele não podia estar.

Comecei a pensar que estes dias, para alguns, afinal são dias em que a ausência se faz sentir ainda mais!

Cresci e tornei-me aquilo que sempre quis ser: Educadora de Infância! E, com isto, aquilo que estava muito bem guardado nas gavetas da alma deixou de estar. Voltei a ter de me convencer que a vida é assim…. Voltei a ter de me convencer que estes dias tem de se comemorar efusivamente nas escolas… e que os meninos e meninas que não vivem com os pais, ou que os pais morreram, os que estão em instituições ou tem duas mães… podem sempre dar o presente a qualquer outra pessoa.

Embarquei em muitas coisas porque estavam enraizadas, eram tradições e costumes que não se podiam alterar, pensava eu! Ainda assim, sempre que possível, tentei que fossem os mais pequenos a decidir o que queriam e como queriam fazer.

Felizmente, em muitas escolas por aí, o dia do Pai e o dia da Mãe passou a chamar-se dia da Família. Dias em que a ausência se torna numa linha ténue absorvida pelo carinho dos deles.

Nestes dias a escola está pronta para receber alguém da família das crianças, alguém que a criança gosta e a quem pode dar o presente que decidiu fazer e, mais que isso, pode dar-lhe mimos e abraços!

Mais que ser Pai ou Mãe é ser Família, seja ela como for!

E não é que o “sacana” do COVID-19, este ano, acabou com o dia do Pai e transformou-o em (mais um) dia da Família?! Curioso, não?!

Dia(s) da(s) Criança(s)

A Ana nunca deixou de ser esta pequena criança feliz.

Mantém o sorriso rasgado, o olhar curioso e a vontade de viver tudo como se desta criança ainda se tratasse.

Mantém, também, a falta de jeito para grandes acrobacias em veículos de 2 ou 4 rodas mas ainda assim não deixa de fazer seja o que for, nem que para isso tenha de ir a pé!

Assim começou o dia da Criança da Ana, a recordar aventuras vividas há alguns anos.

Mas, rapidamente, as recordações deram lugar a novas aventuras partilhadas e vividas com amigos de palmo e meio!

Tempo para fazer corridas de motas a toda a velocidade!

Tempo para testar limites (as rampas são maravilhosas para qualquer verdadeiro aventureiro… e, assim sendo, os adultos concorrem em desvantagem).

Houve tempo para petiscar, para dar gargalhas, para ouvir histórias e para tentar contar a nossa própria história!

Houve tempo para celebrar amizades de grandes e pequenos (que são as mais especiais) para sermos crianças e para sermos felizes!

Houve tempo para tudo: matar saudades, correr, escorregar, trepar…