Dia(s) da(s) Criança(s)

A Ana nunca deixou de ser esta pequena criança feliz.

Mantém o sorriso rasgado, o olhar curioso e a vontade de viver tudo como se desta criança ainda se tratasse.

Mantém, também, a falta de jeito para grandes acrobacias em veículos de 2 ou 4 rodas mas ainda assim não deixa de fazer seja o que for, nem que para isso tenha de ir a pé!

Assim começou o dia da Criança da Ana, a recordar aventuras vividas há alguns anos.

Mas, rapidamente, as recordações deram lugar a novas aventuras partilhadas e vividas com amigos de palmo e meio!

Tempo para fazer corridas de motas a toda a velocidade!

Tempo para testar limites (as rampas são maravilhosas para qualquer verdadeiro aventureiro… e, assim sendo, os adultos concorrem em desvantagem).

Houve tempo para petiscar, para dar gargalhas, para ouvir histórias e para tentar contar a nossa própria história!

Houve tempo para celebrar amizades de grandes e pequenos (que são as mais especiais) para sermos crianças e para sermos felizes!

Houve tempo para tudo: matar saudades, correr, escorregar, trepar…

Quando for grande quero ser Educadora…

Assim começou a história, há muito tempo, desde que tenho memória. Derrotei monstros matematicamente assustadores e vozes terrificas diminuidoras e demolidoras de sonhos (Educadora de Infância… hum… pois…), vozes de que se esqueceu de como é bom ter sonhos e ser criança.

Todavia conheci, também, aventureiros destemidos e sonhadores (como eu) que me ajudaram a crescer, a continuar a sonhar e a ser Educadora.

Esta é uma história com muitas aventuras e, por isso, não a posso contar toda de uma vez.

Assim sendo, apresento agora, uma passagem que relata o meu caminho na procura da minha identidade profissional.

E esta história começa com um segredo: a única coisa que eu não gostava em ser Educadora eram os trabalhos manuais. Durante algum tempo tremia sempre que me perguntava: “Como vais fazer o painel da do Magusto? O da Primavera? Olha que o a Páscoa vem aí…”

Como é que eu ia fazer aqueles painéis tão bonitos, coloridos e aprumados se tinha duas mãos esquerdas?!

Lá fui tentando reproduzir com a participação dos meninos (aquela que eu conseguia inventar, a todo o custo) as bonitas “marias castanhas, as flores e borboletas dignas de qualquer Primavera e os coelhinhos fofos de pompom arrebitado. Pensava muito para diversificar as técnicas de Expressão Plástica e os materiais mas, ainda assim, nada daquilo fazia realmente sentido.

Intimamente eu sabia que havia outra maneira de ser Educadora e de fazer as coisas mas, a pouca experiência profissional, vivenciada em diferentes contextos, dificultava a possibilidade de ter audácia para percorrer outro caminho.

E foi nesta altura que, sem estar à espera, me reencontrei com o MEM (Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna), não o via desde os tempos do estágio curricular.

Este reencontro foi o clique que precisei para encontrar a resposta para a mudança que procurava. Nesta altura percebi, também, que não tinha de romper com o tradicionalismo e que (Re)construir a tradição poderia ser um caminho para aprendizagens significativas.

Os painéis deixaram de me fazer tremer porque ao invés de refletiram as minhas mãos esquerdas passaram a refletir as vozes ativas das crianças e a vida delas na sala.

Os bonitos e alinhados comboios para sair da sala (sim eu organizava bonitos e ordeiros comboios de meninos) deram lugar à autonomia e responsabilidade. (“Afinal não há monstros nos corredores entre a sala e o refeitório, nem mesmo o Cuquedo, o papão ou o Grufalão e sabemos comportar-nos melhor que muitos adultos nas filas da repartição das finanças ou do supermercado.)

As 4 paredes da sala foram substituídas pelas brincadeiras sem teto e fora de portas e janelas.

Estas transformações que fui introduzindo na minha prática pedagógica permitiram-me perceber que tudo vale a pena quando a alma não é pequena e que por maiores que sejam os medos, as dúvidas e as barreiras nunca devemos deixar de acreditar na possibilidade de educar crianças verdadeiramente felizes!