Chegou o dia do PAI… E agora?!

Desde que me lembro de ser gente raras foram as vezes que consegui entregar, no dia do Pai, todos os presentes e cartas que fazia com toda a dedicação, na escola, ao meu Pai.

Raras foram, também, as vezes que o meu Pai pode ir, nesse dia, à escola buscar-me como todos os pais…

Por consequência, muitas foram as vezes, em que a barriga me doía nesse dia e não queria ir à escola. Muitas foram as vezes em que deixei de ter vontade de fazer os bigodes pintados, os calendários, os porta-canetas, os blocos de notas e as mil coisas mais que se lembravam de nos pedir. O meu pai nem trabalhava num escritório, vejam só!

Esta situação foi ficando adormecida aqui nas minhas gavetinhas, muito bem guardadas pelo pássaro da alma. Com o tempo fui-me convencendo que a vida era assim… e que o meu Pai não estava presente porque estava a trabalhar fora e, que aquele dia, também não era um dia feliz para ele. Nem aquele, nem os outros todos em que se celebravam coisas e ele não podia estar.

Comecei a pensar que estes dias, para alguns, afinal são dias em que a ausência se faz sentir ainda mais!

Cresci e tornei-me aquilo que sempre quis ser: Educadora de Infância! E, com isto, aquilo que estava muito bem guardado nas gavetas da alma deixou de estar. Voltei a ter de me convencer que a vida é assim…. Voltei a ter de me convencer que estes dias tem de se comemorar efusivamente nas escolas… e que os meninos e meninas que não vivem com os pais, ou que os pais morreram, os que estão em instituições ou tem duas mães… podem sempre dar o presente a qualquer outra pessoa.

Embarquei em muitas coisas porque estavam enraizadas, eram tradições e costumes que não se podiam alterar, pensava eu! Ainda assim, sempre que possível, tentei que fossem os mais pequenos a decidir o que queriam e como queriam fazer.

Felizmente, em muitas escolas por aí, o dia do Pai e o dia da Mãe passou a chamar-se dia da Família. Dias em que a ausência se torna numa linha ténue absorvida pelo carinho dos deles.

Nestes dias a escola está pronta para receber alguém da família das crianças, alguém que a criança gosta e a quem pode dar o presente que decidiu fazer e, mais que isso, pode dar-lhe mimos e abraços!

Mais que ser Pai ou Mãe é ser Família, seja ela como for!

E não é que o “sacana” do COVID-19, este ano, acabou com o dia do Pai e transformou-o em (mais um) dia da Família?! Curioso, não?!