(Não) quero usar Óculos!

De volta às histórias, de volta às aventuras!

A escolha desta história traz, à Ana, memórias tão boas… da Universidade, da professora Ana Margarida Ramos e das cadeiras de Literatura para a Infância e Juventude.

A Ana conheceu esta história quando a professora Ana Margarida Ramos pediu uma recensão crítica sobre um livro infantojuvenil, para uma das cadeiras que lecionava.

A primeira coisa que a Ana fez foi ir a uma das livrarias de Aveiro e, na área infantojuvenil, encontrou, de imediato, o livro “Não quero usar óculos”.  Os seus olhos sorriam instantaneamente, só com o título, reconheceu o nome do ilustrador (André Letria), tantas vezes ouvido nas aulas de Literatura para a Infância e Juventude). Depois sentou-se a folhear as páginas e não foi preciso passar da terceira, para se dirigir ao balcão e comprar o livro. Estava escolhido o livro para a recensão.

E haveria livro melhor que este? A Ana já tinha sido aquele menino, também ela sentada numa cadeira que subia e descia, a sentir-se uma mosca e a achar excessivamente injusto perguntar-lhe sobre letras que ela nem via.

A Ana também já tinha sentido recusa em usar óculos porque quando ela tinha 6 anos (aqui há algum tempo) os óculos não eram assim tão giros. Ela não sabia que os podia imaginar de todas as formas, tal como o menino desta história!

A Ana teve medo de ficar feia, de começar a ter alcunhas que falavam sobre fundos de garrafa e caixas de óculos.  Ela teve medo que já não quisessem jogar à bola com ela e que não a deixassem saltar à corda com medo que os óculos se partissem.

A Ana teve medo de deixar de ser escolhida para fazer teatros na escola, afinal que personagens do mundo encantado é que usavam óculos?! Não podia fazer de Cinderela, nem de Branca de neve. E de animal só lhe assentaria bem o papel de coruja, ou de toupeira!

Se a Ana, com seis anos tivesse lido este livro, um álbum narrativo cheio de imagens sugestivas de possíveis óculos fantásticos e originais, com um texto com muito humor à mistura, talvez não tivesse recusado, de imediato, ter de usar óculos. Talvez não tivesse tido medo e, ao invés disso, teria ficado entusiasmada com a possibilidade de ter uns óculos especiais.

Mas… quando os óculos vieram… a Ana lembra-se tão bem, grandes, redondinhos e dourados (hoje fariam o maior sucesso!), aquela sensação de medo e de recusa evaporou-se. E, a partir desse dia, aqueles óculos e a Ana ficaram os melhores amigos. A Ana percebeu que, com eles, via melhor o Mundo, tudo era mais nítido, já podia ver todas as letras e palavras mesmo que estas estivessem muito, muito longe!

A Ana podia ser o que quisesse com os aqueles óculos, aqueles óculos eram janelas grandes para o Mundo.

A Ana ainda hoje gosta de usar óculos, sabe que apesar das lentes terem muitas camadas, são essas camadas que dão à Ana características especiais, só dela. A Ana acredita que vê aventuras que mais ninguém vê pelas lentes dos seus óculos. Aventuras que depois gosta de contar e partilhar!

Como já todos perceberam o AnAdventure nasceu assim, dourado e redondinho como os primeiros óculos da Ana. E os primeiros óculos, dizem por aí, nunca se esquecem!

Ah, e também não se esquece a professora Ana Margarida Ramos e o que ela ensinou! Nem se esquecem os “óculos” que ela emprestou e que a Ana guarda até hoje, uns muito especiais, aqueles que fazem o coração ficar quentinho, a alma cheia e nos abrem as portas do Mundo fantástico dos livros e das histórias!

Era uma vez um… pesadelo no meu armário!

Como todos sabem a Ana adora histórias… Gosta de as ler, de as ouvir e de as contar!!

Hoje a Aventura foi contar a história “Um pesadelo no meu armário!”

A escolha desta história não foi ao acaso… O tema deste livro-álbum aborda um tema que a toca. Este livro leva a Ana, já adulta, a reviver a sua infância, a recuperar uma parte das suas vivências infantis, dos seus medos e a pensar naquilo que sente dentro dela a partir do momento em que se reconhece no livro.

Esta é uma história sobre o momento do adormecimento que tantas vezes traz sentimentos de recusa, ansiedade e medo! Este é um livro-albúm centrado na história de um menino que tem medo de dormir sozinho, tem medo dos monstros que habitam no seu armário

Esta é também uma história de um menino capaz de desafiar e vencer, de forma engraçada e doce, os seus terrores noturnos!

A Ana acha que, quanto mais forem as vezes, em que se contam histórias que são sobre esta coisa chata do medo mais vamos ser capazes de lidar normalmente, e até com uma certa troça, com medos, monstros e outras coisas pavorosas.

Começamos até, como o menino da história, a ter algum carinho pelos monstros e entidades terríficas. Ficamos capazes de encontrar um espacinho para ele, bem ao nosso lado na cama. E, assim, já ninguém tem de dormir sozinho!

Se continuamos com medo?! Claro um bocadinho… os monstros estão lá, mas já somos capazes de os aceitar, sem que estes nos perturbem o sono ou as idas ao quarto buscar brinquedos quando a luz está apagada!

Afinal os monstros também choram e têm medo… e podem ser nossos amigos, se nós deixarmos!

BUH!